Em um primeiro momento, analisar a diferença entre o vestuário e a arquitetura me pareceu ridiculamente óbvio. "A roupa, você veste. A arquitetura, você habita". Mas, pensando afundo na diferença das palavras vestir e habitar, a dificuldade para encontrar a diferença está na fusão de seus significados. Uma roupa pode ser habitada bem como uma casa pode ser vestida.
A arquitetura constrói lugares que protejam de ambientes hostis. O vestuário protege de climas extremos. Ambos podem ser (ou não ser) confortáveis. Ambos podem trazer segurança psicológica e emocional. Ambos cumprem função estética. Ambos podem ou não durar a vida inteira. Ambos são formas de arte e podem se tornar patrimônios memoráveis para a humanidade.
Entretanto, uma vestimenta não cumpre a função de acolher várias pessoas de uma vez, de tornar o ambiente um lugar agradável para todas. A convivência humana é algo que a arquitetura tem a opção de acolher, enquanto o vestuário abriga somente uma pessoa e sua individualidade. O que, no fundo, é o que torna a vida em sociedade agradável. Pode-se dizer, então, que a maior diferença entre os dois é a questão social de convívio.
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