quinta-feira, 7 de julho de 2016

Rede de Implicações

Após a realização do brainstorming no local da intervenção, o grupo chegou na seguinte rede de implicações:

marquise                                        refúgio
SEGURANÇA
parede                                            abrigo



contraste aberto/fechado                  fluidez
LIBERDADE
polivalente                                           dinamismo



                  colunas                                ressignificar o espaço
PERTENCIMENTO
campo de visão                                apropriar/utilizar



vazio/desocupado                              movimentar
FLUIDEZ
abertura                         possibilidade



arejado                                          transição
AMBIGUIDADE
iluminado                                             dicotomia


Crítica ao Vídeo do Colega

O vídeo escolhido para ser criticado foi o do Matheus Drummond, integrante do grupo de intervenção do pátio externo. Em um primeiro momento, o vídeo estava em más condições de filmagem, já que a câmera tremia muito e não haviam cortes entre as cenas, o que caracterizada um filme bastante caseiro.
Após a edição, o vídeo ganhou todo seu potencial já que foi utilizado método de stop-motion, onde várias fotos foram somadas e deram a impressão de continuidade. Além disso, o colega utilizou-se do resultado visual do próprio objeto para escrever o que era necessário no vídeo. O que poderia ser melhorado é o tempo que cada letra aparecia na tela, facilitando a leitura deste. A música de fundo condiz com o tempo de vídeo, criando coesão.

Duelo de MCs - Viaduto Santa Tereza 12/06

Após a mudança de data, das sextas para o domingo, para atingir um maior número de pessoas publico alvo, o Duelo de MC's ocorre quinzenalmente no Viaduto Santa Tereza. O Viaduto, que já se tornou referência de resistência cultural e musical, se encontra na região central, o que facilita seu acesso. Para o duelo, chegam pessoas das mais diversas regiões da cidade que se identificam com o evento que ocorrerá. Exemplo de ocupação espacial politizada, o Duelo se tornou um dos principais eventos permanentes da cidade, sendo referência em escala nacional.
 No evento, nao faltam skatistas que se apropriam de boa parte do local em que ocorre o evento, o caracterizando pelo estilo dos frequentadores. A diversidade, ainda assim, de pessoas que comparecem ao Duelo é enorme, apesar da falta de estrutura do local. Os organizadores obtem os equipamentos necessarios sem ajuda da prefeitura, como acontece em outros eventos no Viaduto.

Modelo SketchUp - Pátio Externo






Caderno Técnico

Caderno Técnico by Flávia Nascimento on Scribd

Vídeo Performance Pátio Externo


Croquis Parque das Mangabeiras

Croqui Observação Longa Duração

Croqui Observação Sobreposto

Estratégias de Apropriação do Espaço


  • Parkour: é uma modalidade que significa a arte de deslocar-se de um ponto para o outro rapidamente, usando técnicas para saltar os obstáculos como rampas, escadas, muros, corrimãos, calçadas, árvores, qualquer lugar onde se possa escalar e explorar apenas os recursos do corpo de forma ágil e superando seus limites. Essa prática teve seu início na França por volta de 1980, por David Belle. Ele cresceu vendo seu pai praticar exercícios relacionadas às técnicas de combate de guerra, pois seu pai foi ex-combatente da Guerra do Vietnã. Sua técnica consiste em treinamento dado aos militares e ao método natural de educação física.

  • Deriva: a prática consiste em uma experiência artística-sensorial tendo bases muito particulares, com caráter lúdico e experimental, na qual o pedestre anda sem rumo, deixando-se levar pelas formas da cidade e, assim, adquire novas maneiras de apreensão do espaço urbano.

  • Flaneur: é alguém que perambula sem compromisso por uma cidade, alguém que percorre as ruas sem objetivo aparente, mas secretamente atento à história dos lugares por onde passa e à possibilidade de aventuras estéticas ou eróticas. O conceito se tornou significativo na arquitetura e planejamento urbano, descrevendo aqueles que são afetados indiretamente pelo espaço somente pelo ato da passagem. Embora tenha sido um conceito também trabalhado por Walter Benjamin, foi Baudelaire quem primeiro cunhou a definição e tratou sobre o assunto. Tratando do contexto histórico no qual escreveu Baudelaire, as mudanças acontecidas - que vinham e vêm acontecendo em continuidade na sociedade francesa e mundial em meados do século XIX, o levaram a se questionar se as ideias estéticas tradicionais eram ou não adequadas ao dinamismo da nova sociedade. 

  • Rolezinhos: são encontros marcados pela internet por adolescentes que começaram no fim de 2013. No começo, os eventos eram convocados por cantores de funk, em resposta a um projeto de lei que proibia bailes do estilo musical nas ruas da capital paulista. Incomodados com a multidão de jovens cantando refrões de funk ostentação nos corredores, a direção de seis shoppings paulistanos tiveram o respaldo de decisão judicial para fazer a triagem de clientes. A repressão policial aos participantes também gerou repercussão. Os eventos continuam a ser promovidos, mas agora por todo o país, como forma de protesto contra o preconceito e segregação social. 

  • Flashmob: são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social. 




Objeto de Corte

Prancha para corte


Croquis: Escola de Arquitetura

Croqui DAzinho

Croqui Pátio Externo
Croqui da Escada do Indisciplinar

Croqui do DA


Curta Circuito no Palácio das Artes - Março/2016

  No dia 28 de março, foram apresentados dois filmes, ambos curta metragens, no Palácio das Artes pelo Curta Circuito, mostra de cinema permanente.
  O primeiro deles, Alma no Olho (1973), de Zózimo Bulbul, discute o racismo através da transformação interna do ser, inspirado no movimento concretista.


Totalmente filmado em estúdio, contra um fundo infinito branco, câmera parada, com imagens extremamente dinamizadas pelos cortes rápidos, o corpo negro de Zózimo se desloca por séculos: desde a inocência da vida livre e feliz nos rincões africanos à mendicância nas grandes cidades imposta pela exclusão aos afrodescendentes brasileiros, passando pela infâmia dos porões dos navios negreiros.

Sem uma única palavra, usando apenas expressões faciais e corporais, sem quaisquer artifícios cenográficos, apenas com o apoio de música pontual de John Coltrane, Zózimo Bulbul cria num único ser, ele próprio ator ficcional e pessoa real, uma gama enorme de personagens condutores de uma história em que cada espectador é o construtor de sua própria narrativa. Auto-retrato de uma ancestralidade que resiste e quer ser feliz.

Ao mesmo tempo em que narra a saga da diáspora africana e seu triste destino escravo em nosso país, Alma no olho é o quadro fiel dos anos 1970 do Brasil da ditadura, em que o povo brasileiro era perseguido, aprisionado, torturado e assassinado. E onde os negros, como ainda hoje, eram o alvo preferencial dos facínoras paramilitares e milicianos dos temidos esquadrões da morte.

Seminário de Interação

    O primeiro exemplo escolhido para a apresentação do seminário foi o trabalho da dupla O Grivo. Formada em 1990 por Nelson Soares e Marcos Moreira, o grupo de experimentação cria ambientes sonoros a partir de máquinas "improvisadas", construídas com objetos e instrumentos musicais tradicionais de maneira não convencional.

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    Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos,
cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se
soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro e a dança. Nas instalações/concertos o espaço de fronteira e interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde
se constrói a experiência com conceitos como textura, organização espacial, sobreposição,
perspectiva, densidade, velocidade, repetição, fragmentação, etc. A proposição de um estado de curiosidade e disposição contemplativa para a escuta e a discussão das relações dos sons com o espaço são as ideias principais sobre as quais se apoiam os trabalhos do grupo.


   Foi utilizado também o projeto de uma casa que permite a mudança de seu teto e, consequentemente, a composição da iluminação e ventilação da casa. Sliding House foi desenvolvida pelo grupo de arquitetos do escritório DRMM. 

    O mecanismo utilizado foi o deslizamento de parte da estrutura já montada da casa por trilhos. Apesar de possibilitar a mudança da ambientação da casa, são permitidas apenas algumas combinações de teto/estrutura, o que torna o projeto pouco programático, com alto custo e solucionando um problema (o conforto térmico em países com climas rígidos) que poderia ser solucionado de maneiras mais eficientes e simples.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Representação e Experiência Presencial

A representação proporcionada pelas ferramentas digitais é um grande avanço na sociedade e contribui para que, de certa forma, possamos conhecer um local sem necessariamente visitá-lo fisicamente. Contudo, pudemos notar que o processo de visitação por esse meio, normalmente, não oferece experiências sensoriais e sociais ao indivíduo. Ao estar no Parque Municipal, por exemplo, pude notar que lá é um local com boa circulação de ar, as árvores filtram a quantidade de luz que atinge o solo, então algumas partes são mais iluminadas que outras, as folhas das árvores caiam, havia sons de pássaros cantarolando, pessoas caminhavam, etc. A visualização pelo meio digital, no entanto, não me provocou nenhuma dessas sensações e experiências, mas ao contrário, no momento da captura das imagens havia poucas pessoas no parque, o que inicialmente me passou a ideia de um local vazio e sem utilização por parte da população. Assim, toda a representação não é a realidade e, dessa forma, não consegue transmitir a vivência por completa que se teria de um determinado local, apenas um recorte dessa experiência, enquadrado de acordo com a representação que se faz dele.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Crítica ao objeto da Débora

O objeto possui interface interativa finalística em certo nível ao ativar o circuito, já que esta acontece para girar as tampas em intensidades diferentes e brincar com as diferentes possibilidades de combinação entre os elementos giratórios. Além disso, a estrutura de apoio dispõe de hastes que podem deixar o objeto em pé ou não, sendo parte das possibilidades que o objeto traz.
A pouca quantidade de elementos que podem ser ativados limita as combinações e faz com que a interação seja breve. A partir disso, as possíveis melhorias que o objeto poderia ter seriam o aumento do número de elementos e de efeitos que estes causariam, como a aplicação de certos materiais na ponta dos elementos giratórios, de forma que criassem diferentes efeitos.
O objeto poderia ser combinado com o da colega Luiza Helena, de forma que esse ajudaria na formação dos sons por ter certa velocidade e esta ser controlada, podendo causar efeitos diferentes com a combinação entre eles.
Outra combinação possível seria com o objeto da Luiza Fattini, já que este tem que ser movimentado para ativar seus sensores. Por ser de material leve, pode ser acoplado em algumas pontas dos elementos giratórios aleatoriamente que, ao ser ativado, movimentará a esfera em diferentes velocidade e esta reagirá de diferentes maneiras.
Finalmente, fundindo os três objetos, obtemos as hastes com elementos giratórios que, tendo as esferas em suas pontas, criaria sons e efeitos diferentes e ainda ativariam o circuito de LEDs do objeto da Luiza Helena.

terça-feira, 31 de maio de 2016

DiversaS - 2ª Mostra Feminina de Arte e Resistência

No dia 19/03 o Viaduto Santa Teresa recebeu um evento feminista de resistência à discriminação que mobilizou mulheres negras, lésbicas, indígenas, travestis e transexuais. O evento contou com intervenções poéticas, shows e performances, todos protagonizados por artistas femininas.
Tal evento trouxe para o espaço público uma das discussões mais importantes e atuais da sociedade brasileira e mundial: o feminismo. Questionando a falta de representatividade no campo cultural, as diferenças no tratamento social, no campo do trabalho, a violência física, moral e sexual, enfim, a discriminação constante e milenar que existe contra a mulher, as artistas organizaram uma ocupação urbana no sábado com uma programação completa e diversa, como o nome do evento. Este, aliás, busca a representatividade também, já que explicita quão diverso o grupo feminino é e como deve ser representado integralmente.
Além disso, o evento aconteceu em um dos maiores símbolos de resistência urbana de Belo Horizonte: o Viaduto Santa Teresa. O espaço, que não foi planejado para ser um centro de eventos culturais, recebe constantemente aos finais de semana ocupações dos mais variados tipos de artistas. Tais eventos são em sua maioria representados por homens, o que chamou mais atenção para o fato deste ter sido exclusivamente feminino. O viaduto possui uma espécie de palco definitivo, devido à grande demanda deste pelos grupos que o ocupam para fins culturais. Além disso, a presença de certos elementos o torna convidativo.
Artistas pintando e decorando elementos físicos do espaço
O público que compareceu ao evento foi muito diverso também. Em sua maioria, mulheres que participam do movimento de resistência feminina, porém havia um grande número de homens que frequentam aos eventos locais. Outro grupo que compareceu em grande proporção foi o de moradores de rua, o que mostra que tal espaço público é convidativo para todos os tipos de público urbano. Muitos destes moram nas proximidades ou no próprio viaduto. A presença de uma moradora de rua, entretanto, foi mais chamativa do que os demais. Esta, se sentindo no direito e à vontade para ocupar o espaço do evento, subiu ao palco no meio das apresentações para ocupá-lo junto aos artistas.


Ocupação do espaço do viaduto durante o evento

Performance artística

Moradore de rua participando ativamente de um dos shows

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Discussão: Galeria Lygia Pape

   A galeria escolhida na visita ao Inhotim foi a da artista Lygia Pape. Após analisar a obra, seu prédio e a relação entre ambos, o grupo se reuniu para discutir o que foi observado.
  A primeira impressão que nos foi causada, devido ao prédio e ao seu contexto no Inhotim, foi de que este parecia um túmulo sendo encontrado em um local inabitado. Possui formas geométricas, construído com concreto, buscava representar a forma de origamis. A entrada deste também é de certa forma problemática, já que fica no nível mais baixo da área em que foi construída, camuflada entre diversos tipos de plantas. Após adentrar, houve um grande choque entre a iluminação externa, natural, e a interna, artificial e baixa. Há a perda de percepção visual, pois o ambiente é muito escuro e o espectador é guiado por fracas luzes nas paredes para se guiar ao centro do prédio, onde se localiza a obra.
   O prédio possui alguns problemas em sua elaboração. O primeiro deles, esteticamente, já que não cumpre o proprósito de leveza que lhe foi imposto. O segundo problema vem quando, entrando no primeiro corredor, tem-se a opção de virar à esquerda para visitar a obra ou continuar até o fim do corredor. Entretanto, ao final deste corredor, há apenas uma porta para serviços de limpeza locais, o que não deveria estar ao fácil acesso do visitante, criando a confusão entre onde deve e onde não deve se seguir.
   Outro ponto a ser observado é a relação entre a obra e o prédio. A obra possui leveza, fineza, angulação controladas, jogo de luz e ambientação para sua vislumbração, o que não acontece com o prédio, que é a grande problemática da Galeria.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Representação e Experiência Presencial

Representação e Experiência Presencial

É importante questionar o quanto o consenso sobre a necessidade de representacao da realidade maximiza as possibilidades por conta das condições inegavelmente apropriadas. As ferramentas digitais que a proporcionam, principalmente o Street View, muitas vezes substituem visitas fisicas que poderiam acontecer nos locais de fato. Ainda assim, existem dúvidas a respeito de como a contínua expansão de tal atividade causa impacto indireto na realidade e na experiencia presencial - ou na falta desta. As experiências acumuladas demonstram que a crescente influência da Internet promove a alavancagem da limitacao da experiencia presencial em funcao da digital. É importante, tambem, questionar o quanto o surgimento da representacao virtual promove o sistema de participação geral.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Documentário: No Vermelho - Cine 104 - 30/03

O espaço CentoeQuatro, localizado na Praça da Estação, recebeu em março tal documentário. “No Vermelho” é o nome do novo filme do cineasta mineiro Marcelo Reis. Terceiro título de uma filmografia recheada de questionamentos sociais, o recente longa não foge à regra e busca trazer a perspectiva dos trabalhadores que, driblando a invisibilidade, fazem do semáforo seu escritório.

Na obra, um pouco da grande diversidade que esse universo comporta: vendedor de frutas, balas, lavador de para-brisa, cantor e artistas malabares. De acordo com o diretor, personagens que têm em comum o fato de que foram escolhidos por instinto e a luta em busca de atenção. E é “no vermelho” que surge a única oportunidade de se fazerem notados. O filme é também uma tentativa de mudar a cabeça dos motoristas e mostrar, de alguma forma, o quanto as pessoas que vivem da rua são estigmatizadas.



Documentário: No Vermelho - Cine 104 - 30/03

O espaço CentoeQuatro, localizado na Praça da Estação, recebeu em março tal documentário. “No Vermelho” é o nome do novo filme do cineasta mineiro Marcelo Reis. Terceiro título de uma filmografia recheada de questionamentos sociais, o recente longa não foge à regra e busca trazer a perspectiva dos trabalhadores que, driblando a invisibilidade, fazem do semáforo seu escritório.

Na obra, um pouco da grande diversidade que esse universo comporta: vendedor de frutas, balas, lavador de para-brisa, cantor e artistas malabares. De acordo com o diretor, personagens que têm em comum o fato de que foram escolhidos por instinto e a luta em busca de atenção. E é “no vermelho” que surge a única oportunidade de se fazerem notados. O filme é também uma tentativa de mudar a cabeça dos motoristas e mostrar, de alguma forma, o quanto as pessoas que vivem da rua são estigmatizadas.



Relação programática entre objetos (faca)

   Para a aula do dia 17/03, foi pedido que levássemos um objeto que nos representasse, que dissesse algo sobre nós mesmos. A minha escolha foi uma faca, que aconteceu de maneira finalística: fazendo uma comparação, assim como eu, esta possui diversas finalidades, pode ser útil de diversas maneiras - tudo depende de como será utilizada. Porém, também dependendo da forma como é utilizada, a faca pode causar danos e machucados em seu usuário. A relação apresentada pode ser dita finalística porque diz respeito sobre a utilidade do objeto, de sua subjetividade. Todos estão acostumados com a utilização da faca para cortar, rasgar, furar, principalmente na cozinha.
   A ligação entre outros objetos foi feita com a bolinha de ping pong e com a pedra. A análise relacionava a instabilidade e imprevisibilidade da bolinha com tais características presentes da minha personalidade. A pedra dizia respeito da possibilidade de ferir, pelo grau de dureza. Além dessas, foram ligadas por outras pessoas um cabo USB e um caderno com folhas em branco.
   Partindo da programática, a ligação entre a faca e o caderno pode ser feita se usarmos a faca fincada numa superfície vertical, como a parede, e apoiar o caderno de diferentes formas - na horizontal como apoio, com a faca entre as folhas de modo a demarcar tal página ou até com a faca passando no meio de todas as páginas, expondo o livro de maneira quase definitiva.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Modernismo, Le Corbusier, Conjunto Moderno da Pampulha e suas relações


   O movimento modernista iniciou seus pensamentos após a Primeira Guerra Mundial, onde ficou evidente que o humanismo aristocrático e o individualismo teriam que cair por terra. Somou-se a isso, ainda, a emergência de novas ideologias como o comunismo, o nazi-fascismo e a democracia ocupando grande espaço na sociedade. O resultado: rompimento da continuidade cultural que se estendia por séculos - a arte moderna repudiou seu passado. Para suprir tal demanda os artistas modernistas introduziram em suas obras figuras deformadas, cores vivas e formas que seriam antes inaceitáveis. Tal movimento foi aderido no campo da literatura, artes plásticas e arquitetura de diferentes formas, porém sempre mantendo o rompimento com o clássico. No Brasil, seu início se deu a partir da Semana de Arte Moderna em 1922 realizada em São Paulo e foi um marco na história da arte brasileira. Seus organizadores declararam total rompimento com as correntes artísticas tradicionalistas anteriores e apresentaram obras que chocaram o público.
   Na arquitetura, os edifícios passaram a desfrutar de maior liberdade formal e leveza em sua composição, desde seus materiais até suas curvas. O ideólogo do modernismo brasileiro foi Lúcio Costa, enquanto Le Corbusier foi o arquiteto modernista estrangeiro mais influente no território nacional.
   Le Corbusier ficou conhecido por, entre tantos feitos, criar os 5 Princípios da Nova Arquitetura ou Arquitetura Moderna. Tais pontos são:
  1. Planta Livre de Estrutura: através de uma estrutura independente, permite a livre locação das paredes, já que estas não mais precisam exercer a função estrutural.
  2. Fachada Livre de Estrutura: assim como a Planta Livre, resulta da independência da estrutura. Assim, a fachada pode ser projetada sem impedimentos.
  3. Pilotis: sistema de pilares que elevam o prédio do chão, permitindo o trânsito por debaixo do mesmo.
  4. Terraço Jardim: transfere o solo ocupado pelo edifício para cima na forma de um jardim, podendo, assim recuperá-lo.
  5. Janelas em Fita: possibilitadas pela fachada livre, permitem uma relação desimpedida com a paisagem.


   Em Belo Horizonte, tem-se o Conjunto Moderno da Pampulha como marco íntegro e vivo da arquitetura moderna brasileira. Criado pela prefeitura de Juscelino Kubitscheck ao idealizar um lago artificial para a prática de esportes náuticos foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, compreendendo o Iate Tennis Clube, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile e a Igreja de São Francisco de Assis. 

  Referências bibliográficas:

O Movimento Modernista - História por Voltaire Schilling.
Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2005/11/17/001.htm

Modernismo na Arquitetura - Arquitetura Para Todos.
Disponível em: http://arquiteturaparatodos.org.br/modernismo-na-arquitetura/

Modernismo no Brasil - Enciclopédia Itaú Cultural.
Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo359/modernismo-no-brasil

Os cinco pontos da Nova Arquitetura - Villa Savoye.
Disponível em: http://villasavoyeblog.tumblr.com/post/626568270/os-cinco-pontos-da-nova-arquitetura

Conjunto Moderno da Pampulha - Belo Horizonte.
Disponível em: http://belohorizonte.mg.gov.br/atrativos/roteiros/conjunto-moderno-da-pampulha

domingo, 13 de março de 2016

Vestuário x Arquitetura

   Em um primeiro momento, analisar a diferença entre o vestuário e a arquitetura me pareceu ridiculamente óbvio. "A roupa, você veste. A arquitetura, você habita". Mas, pensando afundo na diferença das palavras vestir e habitar, a dificuldade para encontrar a diferença  está na fusão de seus significados. Uma roupa pode ser habitada bem como uma casa pode ser vestida.
   A arquitetura constrói lugares que protejam de ambientes hostis. O vestuário protege de climas extremos. Ambos podem ser (ou não ser) confortáveis. Ambos podem trazer segurança psicológica e emocional. Ambos cumprem função estética. Ambos podem ou não durar a vida inteira. Ambos são formas de arte e podem se tornar patrimônios memoráveis para a humanidade.

   Entretanto, uma vestimenta não cumpre a função de acolher várias pessoas de uma vez, de tornar o ambiente um lugar agradável para todas. A convivência humana é algo que a arquitetura tem a opção de acolher, enquanto o vestuário abriga somente uma pessoa e sua individualidade. O que, no fundo, é o que torna a vida em sociedade agradável. Pode-se dizer, então, que a maior diferença entre os dois é a questão social de convívio.

Parágrafo comentário sobre "Animação Cultural" de Vilém Flusser

   Durante anos, séculos, milênios o ser humano usou e abusou da manipulação de materiais para criar objetos e ferramentas a fim de tornar sua vida mais prática, segura e funcional. Porém somente com a Declaração citada no texto pela mesa redonda, a importância e a dependência dos humanos para com os objetos foram discutidas e questionadas. De fato, nada seriam os humanos sem tais utensílios. Sem seus copos para tomarem água, sem suas roupas para se aquecerem, sem suas camas para dormirem, sem os equipamentos eletrônicos para se comunicarem , trabalharem, se divertirem, criarem, etc. São reféns de suas criações. Toda a história da humanidade pode ser comparada a partir dos objetos se considerarmos que estes são produtos do terreno estudado pelas ciências culturais. Dessa forma, os Direitos Objetivos passaram a ser indispensáveis para explicitar tal relação e interdependência.

   Um dos parágrafos com os quais mais tive afinidade dizia que os seres humanos são dependentes dos objetos e que, sem estes, estariam perdidos. Já não sabem mais viver sem tal ajuda, principalmente a de máquinas e hardwares. É praticamente impossível imaginar qualquer sociedade humana desvinculada de suas criações pois sem elas não há evolução cultural, tecnológica ou cultural.

   Em contrapartida, o texto que mais se opôs às minhas idéias afirmava que a humanidade havia criado todos os objetos e, por isso, não poderia ser refém destes; que a humanidade era superior à todas as coisas já criadas e que os objetos nunca passariam de objetos. Isso foi dito sem pensar, porém, que o conhecimento científico, que o avanço tecnológico, que a qualidade de vida que se tem atualmente é devido aos objetos e ferramentas que nós criamos.

   Balanceando, então, as idéias e as contra ideias apresentadas, pode-se ver que os objetos são quase indispensáveis para a vida humana e que, sem eles, não existiriam faculdades, casas, instrumentos de agricultura, equipamentos de comunicação, roupas para nós protegerem e abrigarem, etc. A evolução humana acompanhou a evolução da criação dos objetos (e/ou vice versa) e, mais cedo ou mais tarde, tais criações aconteceriam. É intrínseco ao ser humano criar o que lhe falta por natureza, para sobreviver e viver da melhor forma possível.